22 de junho de 2010

Kaká, fiel seguidor do mestre Dunga


O clima de confrontação com a imprensa esportiva que cobre a Seleção, levado a cabo pelo técnico Dunga, começa a contaminar os jogadores, como já havia previsto na coluna Conexão África. A exemplo de Felipe Melo, que usa as entrevistas para reproduzir o estilo bate-estaca que adota nos gramados, o meia Kaká aproveitou a entrevista do dia para mandar recados ao jornalista Juca Kfouri. Ao ser perguntado sobre treinamentos pelo filho de Juca, André, repórter da ESPN, Kaká comentou que o colunista o persegue em função de suas crenças religiosas. Kaká, como se sabe, é evangélico e membro da Igreja Renascer em Cristo, seita que é comandada pelos bispos Estevam e Sonia Hernandes, julgados e condenados nos Estados Unidos por crimes fiscais. A esposa do jogador é pastora e Kaká divulga as doações em dinheiro que faz à igreja. Dizendo que, ao criticá-lo, Juca ofende milhões de evangélicos no Brasil, o camisa 10 atribuiu a postura do jornalista ao fato de, segundo ele, ser ateu.

Kaká, que surpreendeu todo mundo ao se envolver em tumultos no jogo com a Costa do Marfim, acabando por ser expulso, vinha sendo criticado até esta partida pela falta de sequencia nas jogadas e falta de poder de decisão. Sua atuação na estreia da Seleção recebeu reparos de toda a imprensa esportiva brasileira. Contra os marfinenses, jogava bem, mas aceitou as provocações e terminou prejudicando o time. Para contestar os comentários e artigos de Juca, resolveu deixar de lado a seara futebolística e apelar para a questão religiosa, usando do expediente condenável de usar o filho do jornalista como porta-voz do recado. Sem dúvida, Dunga está formando bons alunos.

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