4 de julho de 2010

FARRA DE DINHEIRO PÚBLICO COM DESTINAÇÃO INCERTA

Todo cidadão de boa fé, cumpridor de suas obrigações, deveria adquirir, ler e guardar, para uso futuro, a edição nº 31.700, de 2 de julho, do Diário Oficial do Estado (DOE) do Pará. A farra de nomeações de assessores especiais, na data limite que a legislação eleitoral permite, é de assombrar. É uma edição a revelar muita coisa, principalmente o escoamento de dinheiro oficial para as campanhas eleitorais vindouras.

As nomeações de assessores especiais chegam a 49, apenas pelo Gabinete da Governadoria, além de centenas de contratação de temporários por outros órgãos e dezenas de chamadas de concursados - estes perfeitamente legais, imagina-se.

Os convênios com as chamadas organizações não governamentais (ONG's), ou "movimentos sociais", na nomenclatura atual, apenas através da Ação Social Integrada do Palácio do Governo (Asipag), somam exatos 104, um sorvedouro de nada menos que R$ 7,5 milhões.


Você já ouviu falar do Grupo para a Valorização, Integração e Dignificação do Doente de Aids? Também não. Ele teria sede na Avenida Roberto Camelier, 809, no bairro de Batista Campos, em Belém. Pois esta entidade teve o privilégio de assinar cinco convênios e a renovação de mais um que totalizam R$ 456 mil. O quanto disso vai chegar aos portadores de aids é incerto.

O Centro de Estudos, Pesuisas e Formação dos Trabalhadores do Baixo Amazonas (Cftbam), dirigido pelo petista histórico e um dos coordenadores políticos do deputado federal Paulo Rocha na região, já é manjado nas edições do DOE. Desta vez, está abocanhando mais R$ 121 mil para tocar um tal de projeto "Compromisso Consórcio Bildiversidade (sic) e Desenvolvimento Sustentável" - assim mesmo, bio com "l". Reconheçamos: é criativa essa "companherada" na hora de inventar nome para programas e projetos.

E a tal Associação dos Condutores de Carroças de Santarém? Também assinou convênio com o "governo da companherada" e vai receber R$ 50 mil. Parece que a estratégia da entidade é expandir e consolidar a presença política dela no meio rural do município, inclusive em regiões cujo acesso exije o deslocamento fluvial, com realzação de cursos de formação político-sindical, pois o convênio prevê "Aluguel de espaço físico, material pedagógico, aluguel de veículos, de barco, alimentação".

Nem Monte Alegre, o maior colégio eleitoral da subrregião da Calha Norte, ficou de fora. O valoroso e aguerrido Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras local, que há muito se transformou em agência do INSS, também pegou o seu quinhão na farra de distribuição de dinheiro público para destinação incerta. Vai receber R$ 40,6 mil para executar o inadiável e imprescindível projeto de "Fortalecimento Institucional do STTR".

Minha opinião: o Ministério Público Eleitoral (MPE) faria um bem enorme ao erário e ao interesse público checando todos os endereços constantes dos convênios assinados e as ações neles previstas. Aliás, não apenas o MPE, mas qualquer cidadão.

Para a felicidade geral do Pará, essa farra tem data para acabar. Basta que a atual maioria dos paraenses mantenha a decisão de promover a necessária e democrática alternância partidária no poder político.
Fonte: blog do piteira

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