10 de abril de 2011

Usar celular nos bancos pode virar passado

Não será mais permitido falar ao celular ou usar qualquer outro tipo de aparelho de comunicação móvel dentro das agências bancárias em Belém. É o que prevê um projeto de lei aprovado há duas semanas na Câmara Municipal. O que já é norma em diversas cidades do Brasil aguarda apenas a sanção do prefeito Duciomar Costa para entrar em vigor, com prazo de 90 dias para adequação dos estabelecimentos.

Segundo o autor do projeto, vereador Fernando Dourado (DEM), a proibição visa diminuir a ocorrência do conhecido “crime da saidinha”, no qual um bandido, de dentro de uma agência bancária, informa a um comparsa que está do lado de fora as características das pessoas que sacaram dinheiro nos caixas e, até mesmo, a quantia retirada por essas pessoas, que se tornam vítimas de assaltos.

“Se já somos privados de usar celulares em palestras, teatros, igrejas e templos religiosos, por que, em prol de uma maior segurança a todos nós, não evitarmos o uso no interior dos bancos, também?. Além de lutar pela segurança da população, o projeto de lei mostra que a CMB está atualizada junto ao Legislativo nacional”, disse o democrata.

Dentro das agências o projeto é polêmico e levanta opiniões diversas. O militar Raimundo Vieira apoia a decisão e não acredita em prejuízos ao cliente. “Tudo o que vem para dar mais segurança é bem-vindo”. Já a universitária Gabriela Souza critica a restrição geral. “Acho que poderiam investir em mais agentes de segurança, câmeras e até o policiamento na área. Às vezes precisamos usar o celular e ficar impossibilitado pode dificultar o dia a dia”.

Para o Sindicato dos Bancários do Pará, a norma fere a liberdade da população. “Já havíamos nos posicionado de forma contrária porque consideramos uma transferência de responsabilidade dos bancos aos clientes. A intenção pode até ser boa, mas estudos comprovam que há estratégias melhores de coibir o crime”, explica o diretor jurídico do sindicato, Sandro Mattos.

BIOMBOS

Enquanto aguarda o posicionamento do prefeito, o sindicato lembra ainda que antes de aprovarem uma nova lei, é preciso fiscalizar as já existentes. “Os bancos alegam que as adaptações impostas pela lei afetariam o padrão nacional de layout das agências, mas encaramos como má vontade o fato de ainda não terem instalados os biombos, cuja obrigatoriedade vigora desde o ano passado”. Segundo a lei, quem está na fila não poderá enxergar a transação bancária que está sendo feita no caixa ou nos terminais eletrônicos. “A partir de maio realizaremos visitas, junto com a Secretaria Municipal de Economia, nas agências para cobrar o cumprimento da lei”.

Segundo o tenente-coronel Paulo Barata, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, houve uma redução de 60% nos crimes de saidinha bancária na área que corresponde aos bairros do Marco, Pedreira e Souza.

“Intensificamos as abordagens aos veículos que ficam parados em frente às agências, especialmente motos, e pedimos também colaboração dos gerentes e seguranças que trabalham nos bancos para nos avisarem de qualquer comportamento suspeito. Para ele, a proibição de celulares ajudará ainda mais a diminuição destes índices. “Vai ser muito bom para impedir a comunicação e dificultar a ação dos criminosos”. (Diário do Pará)

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