20 de fevereiro de 2012

HRBA faz primeira captação de órgãos para transplante‏ em Santarém


O fato é inédito em nossa região e a doadora foi uma mulher que faleceu no Hospital Municipal

Hospital Regional
Na manhã desta segunda-feira (20), está sendo feita a primeira captura de órgãos e tecidos para a realização de transplantes em Santarém (PA). A doadora foi uma mulher de 40 anos que faleceu no Hospital Municipal de Santarém, vítima de AVC. Foram retiradas dela: coração, rins, pâncreas, córneas e fígado. Sendo que do coração foram aproveitadas só as válvulas.
O procedimento está sendo realizado nas dependências do Hospital Regional do Baixo Amazonas, que  já está preparado para fazer a captura de órgãos e tecidos para a realização de transplantes. Profissionais da área de saúde fizeram capacitação desde o ano passado e começo de 2012, para esses procedimentos.
A Coordenação da Comissão Intra hospitalar de Doação está sob responsabilidade do médico Emanoel Espósito. Este é o primeiro passo para se iniciar os transplantes na região.
O primeiro procedimento é detectar a morte encefálica do paciente, para em seguida proceder a captação dos órgãos. Mas um procedimento da maior importância é convencer os familiares dos pacientes aptos a serem doadores. Depende, portanto, da família a retirada dos órgãos. O diagnóstico e os procedimentos são de responsabilidade do Hospital.
“Nós precisamos conscientizar a população que este é um ato de cidadania, que em princípio não tem repercussão para o hospital ou para o médico, mas para a sociedade. É como doar sangue”, argumenta o coordenador. Para ele, “o entendimento de morte cerebral precisa ser democratizado junto à população. Essa dificuldade de convencimento é verificada  em todo o Brasil, e não apenas no estado do Pará. Fazer um pedido desses numa hora dolorosa, não é muito fácil”, pondera.
Em caso do consentimento da família, o Hospital disponibiliza todo o suporte psicológico e social, facilitando a vida dos familiares envolvidos no contexto. O argumento mais forte, segundo ele, é de que “aquele coração, por exemplo, pode continuar vivo na vida de outra pessoa. A grandiosidade do processo está nesse ato. É como poder decidir e a partir daquele luto possa se evitar que outro luto aconteça” avalia.
Numa doação de órgãos são beneficiados em média 10 pacientes, pela média nacional que são trazidos novamente à vida.
A captação de órgãos em Santarém deve começar quando os familiares estiverem convencidos de que a morte cerebral é irreversível. “Não há um só caso no mundo onde houve reversão”, garante o especialista. Mas outro fator determinante, é o fato de o então paciente ter manifestado em vida a auto declaração de doador.
Os órgãos captados serão encaminhados para Belém, onde funciona a Central de Órgãos. Os critérios de doação serão feitos a partir de uma lista estadual única. Os transplantes de fígado ainda não são realizados no Pará, mas a oferta é disponibilizada para o cadastro nacional
Inicialmente serão captados, rins, fígados, pâncreas, córneas e coração para utilização de válvulas cardíacas.
A direção do HRBA deve realizar uma coletiva à imprensa santarena, ainda hoje, para mais informações sobre esse primeiro procedimento.
Fonte: RG 15/O Impacto e Alciane Ayres

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