8 de fevereiro de 2012

Mário Couto se defende atacando. Da tribuna do Senado.


Mário Couto, em foto da Agência Senado: "Medrado cometeu um erro brutal, mas não cometeu um crime"

O senador Mário Couto foi ontem à tribuna do Senado para se defender de acusações do Ministério Público do Estado, que no final de janeiro passado propôs duas ações contra ele e outras pessoas, por supostas fraudes na Assembleia Legislativa do Estado.
Numa das ações, o tucano e mais 15 são acusados de fraudes na folha de pagamentos. Numa outra, Mário Couto e mais dez são acusados de participar de um esquema de fraudes em licitações que lesaram os cofres públicos em mais de R$ 13 milhões.
No discurso, Couto disse que o promotor de Justiça Nelson Medrado, um dos que assinam as ações, tem divergências pessoais com ele e atacou, mesmo sem mencionar o nome, o senador Jader Barbalho (PMDB).
A seguir, a íntegra do pronunciamento do senador, ipsis literis, sem revisão, como constantedas notas taquigráficas disponíveis na página do Senado.

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O SR. MÁRIO COUTO (Bloco/PSDB – PA. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, na tarde de hoje quero falar à Nação brasileira, mas mais especificamente ao meu querido Estado do Pará de Nossa Senhora de Nazaré.
Sr. Presidente, há um ano começou a brotar um escândalo na Assembleia Legislativa do meu Estado, com televisões, rádios e jornais tentando incluir o meu nome no referido escândalo. Inicialmente, resolvi dar algumas entrevistas. Depois, resolvi que não era mais prudente e optei pelo silêncio.
Um ano se passou, meu caro Senador Pedro Taques, a minha vida sendo investigada e eu calado, observando as televisões colocarem a minha imagem no ar como se eu fosse culpado do que estava acontecendo ali. 
Um ano depois, exatamente na semana passada...
Um ano depois, exatamente na semana passada, meu caro Presidente, veio, então, o desfecho desse acontecimento, meu caro Pedro Simon. O Promotor Público que investigava o caso disse que culpa nenhuma tinha eu.
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. Bloco/PMDB – AP) – Senador Mário Couto, peço desculpas a V. Exª para interrompê-lo apenas para registrar a presença, em nossas galerias, dos alunos do curso de Direito da Faculdade Castelo Branco, de Colatina, no Espírito Santo. Muito obrigado a V. Exª.
O SR. MÁRIO COUTO (Bloco/PSDB – PA) – E vou ler onde me inclui o Procurador Nélson Medrado. Depois de um ano de investigação, meu caro Paim, o Promotor Público diz que não encontrou nada, absolutamente nada, mas tinha que optar por uma acusação. E meu caro Senador Pedro Taques, optou por dizer que eu pequei por omissão, que eu devia ter visto a falsificação das assinaturas nos processos. E eu não vi as assinaturas. Caso igual aqui no Senado: teria sido o Presidente do Senado culpado pelas ações do Secretário do Senado, Agaciel. 
Quero aqui parabenizar o Ministério Público do meu Estado. Quero aqui, Presidente, remeter à Mesa Diretora um requerimento que vou ler:
Fulcrado no que preceitua o Art 222 do Regimento Interno do Senado Federal, requeiro votos de congratulações ao Ministério Público do Estado do Pará, na pessoa do Excelentíssimo Procurador-Geral do MPE, Sr. Antônio Eduardo Barleta de Almeida, pelos relevantes serviços prestados à sociedade, em especial à iniciativa de apurar denúncias de irregularidades na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), contribuindo, assim, para a moralidade dos Poderes Públicos no Pará.
O Ministério Público do meu Estado, senhores e senhoras, é um dos mais ilibados e puros desta Nação. Os promotores públicos do meu Estado são promotores sérios, competentes e capazes. O ato que cometeu o Procurador Nelson Medrado relativamente à minha pessoa não foi um crime, foi um erro. Não foi um crime, meu prezado, meu querido Senador Pedro Taques, foi um erro que poderia acontecer com qualquer um, um erro que aconteceu com ele, mas que poderia ter acontecido comigo. 
Houve o pedido de reintegração de sua esposa, do procurador, após 22 anos fora da Assembleia, cedida de um órgão estadual para um órgão federal – já aí há uma brutal irregularidade. O promotor pediu a reintegração da esposa depois de 22 anos de ausência, e eu pedi o parecer da Procuradoria Geral da Casa. A Procuradora – naquela época, a Drª Maria Eugênia – me instruiu a não reintegrá-la ao quadro efetivo, mas a reintegrá-la. Eu reintegrei a esposa do promotor. Bastou isso para que o Procurador Nelson Medrado criasse em seu coração uma raiva contra a minha pessoa. 
Meu querido promotor, eu apenas protegi a Constituição Federal. V. Exª pode dizer que o Supremo determinou que a sua esposa fosse reintegrada, mas aquele meu ato, promotor, deve ter ferido V. Exª, aquele meu ato, promotor, de defesa à Constituição brasileira, deve ter ferido V. Exª.
deve ter ferido V. Exª, e V. Exª cometeu um erro brutal: usou o coração ao invés de usar a razão, promotor.
O coração pedia que V. Exª também atingisse a minha filha, que V. Exª atingisse a minha secretária, há trinta anos trabalhando comigo. Paraenses, o promotor, querido Líder da minha Bancada, acusou a minha secretária de ter recebido R$4,900 mil a mais no seu contracheque. Mas não foi capaz de ter o cuidado de olhar a folha que foi ao banco para pagamento, que tinha estornado o valor de R$4,900 mil. E assim, meu Senador Flexa Ribeiro, a senhora foi punida, a minha secretária também foi punida. 
O Ministério Público da minha terra, repito eu, é um dos mais sérios deste Brasil. Os promotores públicos da minha terra são sérios. O promotor Nelson Medrado cometeu um erro brutal, mas não cometeu um crime. Por isso eu me dou o direito de, inicialmente, Senador Flexa Ribeiro, não recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público. 
Mas o pior erro do promotor foi exatamente aquele, Senador Flexa, de não se julgar suspeito. Como já teria um parecer dado por mim, depois de pedir da competente procuradoria da Assembléia Legislativa, que já tinha um fato entre o Presidente e a esposa dele, ele deveria ter se julgado suspeito. Ele não deveria ter investigado, Senador Mário Couto, deveria ter dado para outro procurador, porque lá todos são sérios e honestos. 
porque lá todos são sérios e honestos.
Ele deveria ter julgado suspeição. Ele deveria optar pela isenção. Ele deveria dizer: “Eu quero a isenção do direito do cidadão”.
Meu nome, Senador Paulo Paim, foi aos jornais. Alguns publicaram com seriedade. 
Vamos ver o que diz o jornal O Liberal, jornal de maior circulação no meu Estado, o melhor jornal do norte do Brasil: “De que foi acusado o Senador Mário Couto? Segundo o Ministério Público Federal, deve responder ao processo por não ter exercido corretamente as suas funções”. E aí vai para o Regimento Interno da Casa porque não achou no Código Penal nenhum artigo para me enquadrar. Vão enquadrar-me no Regimento Interno da Assembleia Legislativa. Este é O Liberal. Este é o jornal sério. Este é o jornal competente da minha terra. Este é o jornal mais lido da minha terra. Este jornal falou a verdade, exatamente o que está nos autos do processo.
Vejam o outro jornal. Vejam o que diz, Senadores e Senadoras, o outro jornal, o jornal que tenho em mão: Diário do Pará. Todos os paraenses sabem qual foi a sua formação. Todos os paraenses têm conhecimento da sua formação, da sua origem.
Vejam o que diz o Diário do Pará: “Mário Couto é acusado de fraude na Alepa”.
Prezados Senadores, Prezado Pedro Simon, a minha vida limpa, a minha honestidade, o meu caráter
a minha vida limpa, a minha honestidade, o meu caráter, a minha dignidade não podia ser escondida atrás da covardia.
Falei nesta Tribuna por muitas vezes que não sou covarde e que não levarei jamais para a sepultura a covardia.
“Requeiro no art. 222, Regimento Interno do Senado Federal, votos de aplauso às Organizações Rômulo Maiorana do Estado do Pará pela maneira ética, imparcial, séria e competente com que produzem e vinculam a sua reportagem, dando exemplo não apenas ao Pará, mas a todo o País, como se pratica o bom jornalismo. Requeiro ainda que os votos sejam encaminhados aos digníssimos Senhores Rômulo Maiorana Júnior - Presidente Executivo da ORMs - e Ronaldo Maiorana Diretor Jurídico das Organizações.”
Convivi com o pai desses dois homens, eu fiz negócio com Rômulo Maiorana, com o velho Rômulo Maiorana, eu conheci a sua dignidade, eu conheci o seu trabalho, eu conheci a sua honradez, eu conheci de que forma Rômulo Maiorana, pai, construiu seu patrimônio para que os filhos não tivessem vergonha dele e do nome dele.
O que o Grupo Maiorana tem é lícito, o patrimônio é integro, a moral jamais será abalada porque aquele patrimônio foi feito com o suro do pai e com o suro dos filhos, com dignidade de cada um, com a moral de cada de um, com a seriedade de cada um. Aquele outro
Aquele outro, todos sabem a quem pertence. Todos sabem quem são os donos. Todos sabem como se formaram o Pará e o Brasil. E às vezes, meu Deus; e às vezes, meu Pai querido, meu Cristo; minha santa querida, Nossa Senhora de Nazaré! Meu querido Aécio Neves, às vezes eu fico a pensar num homem público. Eu, por exemplo, militei 25 anos na vida pública. Parte da minha vida. O que eu tenho, Aécio? Qual o meu patrimônio, Aécio? Eu tenho duas casas, Aécio.
Senadores, políticos que seguiram a mesma carreira minha e chegaram ao Senado, como entram aqui neste Senado milionários? Diga-me, Nação brasileira, como pode? Aqueles que fizeram exatamente o mesmo caminho que eu, como podem ter televisão, jornais, rádios, fazendas? Como pode, Brasil?
Político que só militou na política que vira rico de uma hora para outra é ladrão! Não adianta querer explicar o patrimônio, meu querido Pedro Taques! Não adianta querer explicar o patrimônio, que não explica nunca! E a coisa mais fácil é a comparação. É só comparar, meu querido Pedro!
Como é possível ser bilionário somente militando na vida pública? Como? Diga-me como, meu querido Pedro Taques! Isso é uma imoralidade! É por isso que a nossa classe política não tem credibilidade, neste País.
e a cada pesquisa que se faz a classe política está lá embaixo.
A minha terra... Vocês jamais verão este homem envolvido em corrupção. Entrei na política e vou sair como entrei. Saio com a mesma dignidade. Não tenho patrimônio nenhum em nome de irmão; não tenho patrimônio nenhum em nome de filho; não tenho patrimônio nenhum em nome de minha mulher; não tenho patrimônio nenhum... 

(Interrupção do som.)
O SR. MÁRIO COUTO (Bloco/PSDB – PA) – Procurem...
(O Sr. Presidente faz soar a campainha)
O SR. MÁRIO COUTO (Bloco/PSDB – PA) - ... mexam, catem a minha vida. Não tenho...
Essa minissérie começou hoje. Se querem briga, vamos para a briga, vamos para o pau. Cada um sabe como fede, cada um sabe como fede. Esse é o início da minissérie. Pode vir quente que eu estou fervendo.
E aqui, Pedro Taques, a próxima minissérie é fazer comparações; a próxima minissérie é trazer os dados, é mostrar o patrimônio, é mostrar o que aconteceu na prática. Esse é o próximo capítulo da minissérie. Mexam, podem mexer comigo, podem falar a inverdade, podem colocar mentiras neste jornal que a mim isso não abala. A minha moral é maior do que este jornalzinho.
Presidente Sarney, prometo amanhã voltar à minissérie.

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