15 de agosto de 2012

Eleição em Santarém - Alexandre Von: quem vai governar sou eu. Lira Maia vai ajudar

ENTREVISTA EXCLUSIVA AO BLOG DO MANUEL DUTRA

"Eu sempre me posicionei, como vice, com as atribuições que o vice tem. E foi esse respeito, de cada um saber ocupar o seu espaço, que permitiu que nós nunca tivéssemos qualquer tipo de divergência política que impedisse que hoje continuássemos aliados políticos".
Alexandre Von



Embora não haja pesquisas ainda publicadas no município de Santarém, o fumus victoriae, até este momento, vai na direção do candidato da coligação encabeçada pelo PSDB, deputado estadual Alexandre Von. É o que se ouve em muitos comentários na cidade, mesmo por parte de eleitores que não simpatizam com o candidato. Nestes comentários ouve-se com frequência a expressão “única alternativa”, em razão da pobreza do presente quadro político local.

Assim como a atual prefeita Maria do Carmo Martins Lima é criticada pelos oposicionistas de aceitar, na administração, a ingerência de seu irmão Everaldo Martins Filho, o Everaldinho, Alexandre Von também tem a desconfiança de seus oponentes no tocante à sua antiga aliança com o deputado federal Lira Maia (DEM), de quem foi vice-prefeito por dois mandatos, de quem continua aliado e amigo próximo e que tem, como candidata a vice-prefeita, a irmã de Lira Maia, Maria José.

Então, Alexandre terá autonomia para governar um município que está a exigir medidas de vulto, do tamanho dos problemas que enfrenta? Em resposta a esta e outras perguntas o candidato concedeu a presente entrevista exclusiva a este blog, no dia 14, terça, em seu gabinete no terceiro andar da Assembleia Legislativa, em Belém. À primeira questão, respondeu Von:

“Eu fui oito anos vice-prefeito do Lira Maia, e ele, na condição de prefeito – nunca tornou público, porque nunca houve – em nenhum momento dos oito anos de gestão, qualquer tentativa do Alexandre de querer ocupar o espaço do prefeito. Eu sempre me posicionei, como vice, com as atribuições que constitucionalmente o vice tem. E foi esse respeito de cada um saber ocupar o seu espaço que permitiu que nós nunca tivéssemos qualquer tipo de divergência política que impedisse que hoje continuássemos aliados políticos”.

Continua o candidato:

“Eu não tenho dúvida nenhuma, eu asseguro, com absoluta segurança que, ao chegar ao cargo de prefeito, eu desempenharei as atribuições que me caberão como prefeito, e o deputado Lira Maia continuará desempenhando as dele como deputado federal, e que vai contribuir muito, sobretudo ajudando o município a captar recursos do governo federal e outras parcerias possíveis. E eu tenho certeza também que a minha vice-prefeita (Maria José Maia) desempenhará as suas funções dentro de suas prerrogativas”.

Pergunta: Então, as críticas de que o deputado Lira Maia, em caso de uma vitória tua para a prefeitura de Santarém, poderá vir a ocupar um lugar parecido ao que atualmente ocupa, como se comenta em Santarém, o irmão da prefeita Maria do Carmo Lima, Everaldo Martins, mais conhecido como Everaldinho?...

Resposta: Mas com certeza absoluta, mas absoluta mesmo que isso não vai acontecer e isso nunca passou na cabeça do Maia e jamais nós teremos problemas por conta disso.

Erros e acertos de Maria

Pergunta: Quais os acertos e os erros da atual prefeita, Maria do Carmo Lima?

Resposta: O grande erro foi inchar a estrutura administrativa da prefeitura, foi multiplicar os órgãos públicos para atender a uma avalanche de pedidos dos seus aliados. Essa prática comprometeu a qualidade e o volume dos investimentos públicos.

Pergunta: Não corres, então, os mesmos riscos, haja vista que tua coligação tem tantos candidatos a secretários, por exemplo?

Resposta: Com certeza absoluta, se eu não fizer as mudanças no início da gestão, eu vou cair no mesmo erro. Não podemos trabalhar com esse perfil. Outro erro da atual administração foi a ausência do planejamento estratégico que estabeleça de onde estamos partindo, aonde queremos chegar e por quais meios. Outro erro foi a improvisação administrativa, fruto dessa falta de planejamento. Cada partido que ocupa uma secretaria dá à secretaria o rumo que mais convém ao seu partido. Num eventual governo meu não haverá a política de porteira fechada, com um partido apontando apenas elementos dos seus quadros.

Divisão do poder

Pergunta: Estás numa campanha apoiado numa ampla coligação. Hoje os municípios estão sobrecarregados com tantas secretarias – em Santarém houve até duas secretarias para tratar do mesmo assunto, a agricultura. Tudo isso para acomodar os apoiadores políticos. Tu não vais cair nessa vala-comum, a ponto de inviabilizar um provável governo teu?

Resposta: Meu governo terá cinco eixos: a modernização da gestão pública, o desenvolvimento local sustentável, mobilidade e desenvolvimento urbano, com a reconstrução do sistema viário, modernização e humanização do transporte público, o eixo da proteção social, com avanço na saúde pública, e o quinto eixo é o da promoção social, com avanços da educação, cultura, esporte e lazer. Ninguém governa só, vou governar com os partidos, e a nossa coligação tem 8 partidos que vão participar da gestão, mas não com a agenda do partido.

Só será secretário no meu governo aquele ou aquela, representante de partido ou não, que assuma antes o compromisso com essa agenda que propomos para a população de Santarém. Hoje nosso município tem algo em torno de 25 secretarias, com enorme desperdício, e eu quero meu governo somente com 12 secretarias. Depois de eliminar várias, pretendo criar apenas uma secretaria, que será da Juventude, Esporte e Lazer.

Os votos de Mojuí dos Campos

Pergunta: Com a criação do município de Mojuí dos Campos, retirado de Santarém, e a supressão de 17 mil votos do antigo distrito, o deputado Lira Maia deverá perder um bocado de votos na região das colônias. Isso não vai dar um baque na contagem final dos teus votos?

Resposta: “Na verdade não tem a ver só com o deputado Lira Maia, na eleição passada eu fui o deputado estadual mais votado em Mojuí, onde recebi 4.500 votos, e o segundo mais votado teve 1.100 votos. Ali é um território onde nós sempre vencemos, mas eu considero que para Mojuí é muito melhor a criação do município, conseguir a sua autonomia. Nós temos bom respaldo também nas regiões ribeirinhas e no Planalto que ficou para Santarém, uma zona que largada nos últimos oito anos...”

Estado do Tapajós

Pergunta: E a campanha pela emancipação do Tapajós?

Resposta: Esse é um sonho adiado, jamais sepultado, até porque aqui na região Oeste nós tivemos 99% do “sim”. Não dá para aceitar uma matemática tão prejudicial a nós como essa matemática do plebiscito como foi proposta pelo Supremo, com 2/3 da população morando na parte do território que não quer a divisão e só 1/3 mora na parte que quer se separar. Nós vamos ganhar quando tivermos a capacidade de ajustar essa regra à realidade dos territórios que querem se emancipar.

Como prefeito, vou fortalecer a coordenadoria de integração e desenvolvimento regional que será também de apoio à criação do Estado do Tapajós. A partir de primeiro de janeiro essa coordenadoria será ligada ao gabinete do prefeito, com a responsabilidade de liderar as ações no município de na região. O prefeito de Santarém não vai se omitir nessa luta e uma das nossas primeiras batalhas, hercúlea, será conseguir aprovar no Congresso um projeto de lei de iniciativa popular, determinando a realização do plebiscito nas áreas que desejam se emancipar.

Oposição e verbas

Pergunta: Tens anunciado um plano relativamente ambicioso para governar Santarém. Sabemos que o governo do Estado, do mesmo partido teu, tem problemas de caixa e não poderá suprir as necessidades do município. Que brechas há para um prefeito do PSDB conseguir verbas junto ao governo federal, a quem faz oposição?

Resposta: Seria uma aliança em defesa do povo de Santarém, tanto no nível do Estado quanto do governo federal. A presidente da República tem tido uma postura correta em relação ao acesso dos Estados, e creio que com os municípios não deva ser diferente. Por exemplo, o programa Minha Casa Minha Vida está em todos os Estados. Bons projetos, bem justificados, têm sempre possibilidades de captar recursos. Iremos também buscar recursos de fontes privadas nacionais e internacionais.

“Trânsito assassino”

Pergunta: Santarém tem problemas crescendo para todos os lados, entre eles o aumento populacional, o trânsito caótico, ruas esburacadas, pescado caro, ausência de um terminal fluvial...

Resposta: Nosso trânsito é assassino, matando inocentes. Em nenhum outro momento da história de Santarém um prefeito vai assumir tendo à sua frente desafios tão gigantescos. Além da modernização da administração pública, a agenda de compromisso que estou apresentado à população, tem como objetivo enfrentar esses enormes desafios, entre eles o desenvolvimento local sustentável. Eu penso que o poder público é um incentivador do desenvolvimento local e isso a atual administração não fez, ficou ausente dos problemas e de suas soluções.

Como prefeito, não serei eu que vou dizer quais as vocações econômicas do município, nós teremos que identificá-las coletivamente. Mas com certeza estarão nas prioridades o desenvolvimento da piscicultura, da avicultura, fibras naturais, fruticultura, que são vocações naturais e não podem ficar de fora do nosso desenvolvimento. Precisamos pensar na criação de um polo de criação de peixes e aves com vistas ao mercado local mas também à exportação. Criaremos um instituto municipal de desenvolvimento para fomentar o empreendedorismo, incluindo grupos como pequenos e grandes produtores, os quilombolas, os indígenas, grupos com os quais temos amplas condições de diálogo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário