17 de setembro de 2012

MENSALÃO: "NÃO HÁ QUALQER DÚVIDA DE COMPRA DE VOTO", AFIRMOU RELATOR


"Há várias provas de reuniões mantidas nos interessados no apoio. Não vislumbro qualquer deficiência probatória quanto a esse crime", disse Joaquim Barbosa

Relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa afirmou, nesta segunda-feira, que "não há qualquer dúvida de compra de votos a essa altura do julgamento". Ele disse ainda que a revelação do mensalão feita por Roberto Jefferson à Folha, em 2005, estava distante de "mera vingança política".

Barbosa começou hoje seu voto sobre o núcleo político e avalia a compra de votos para a composição da base de apoio ao governo Lula (2003-2010), o mensalão propriamente dito.

"Não havendo qualquer dúvida de compra de voto a essa altura do julgamento. Há várias provas de reuniões mantidas nos interessados no apoio, de tarefas distribuídas, não vislumbro qualquer deficiência probatória quanto a esse crime", disse.

O relator apontou que, desde 2003, o mensalão "já era alvo de comentários no Congresso" e "que as provas [dos autos] comprovam isso". O ministro rejeitou a tese das defesas dos réus de que houve apenas caixa dois de campanha. Para Barbosa, isso não enfraquece o esquema.

"Essa versão não interfere na caracterização [do crime] já que ajuda de campanha também configura vantagem indevida por influência em atos de interesse dos corruptores", disse.

O relator rebateu indiretamente fala do ex-presidente Lula e argumentos dos advogados de que o mensalão era invenção.

"Apesar das defesas afirmarem que o mensalão foi invenção de Jefferson para se defender de propinas nos Correios, percebemos que as acusações feitas pelo ex-parlamentar estão distantes da mera vingança política, embora essa tenha sido a sua motivação inicial", afirmou.

O relator desqualificou as defesas apresentadas pelos réus que negam a compra de apoio.

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