10 de maio de 2012

Reunião define diretrizes para escola tecnológica de Santarém

O diretor da Associação Comercial de Santarém, José Lima Pereira, falou sobre a mão-de-obra que será criada após a inauguração da escola
“Ambiente, saúde e segurança” e “infraestrutura” foram os dois eixos tecnológicos escolhidos para nortear a definição dos primeiros cursos que serão ofertados pela Escola Estadual de Educação Tecnológica e Profissional de Santarém, prevista para ser inaugurada até o primeiro semestre de 2013. A seleção dos eixos aconteceu na manhã desta quarta-feira (9), no auditório do Instituto Esperança de Ensino Superior (Iesps), na sede do município, no oeste do Pará.
Participaram da seleção representantes de cerca de 30 entidades da região, professores, diretores de escola e gestores municipais, durante o Fórum de Integração para a oferta das escolas tecnológicas em construção da rede estadual de ensino. Para a região do Tapajós, a estimativa é que sejam criados 190 mil novos postos de trabalho até 2013, por meio de investimentos em mineração, logística, comunicação e energia, entre outros.
Quase 60% desses empregos deverão ser especificamente para profissionais com qualificação técnica. O cenário promissor foi apresentado pelo diretor da Associação Comercial de Santarém, José de Lima Pereira, e pelo supervisor regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Rosilvaldo Colares, que apontaram a necessidade urgente de qualificação de profissionais de acordo com os Arranjos Produtivos Locais (APLs). Atualmente, são cerca de 90 mil empregos formais e mais de 125 mil informais.
“É fundamental discutirmos as demandas do mercado para encontrarmos um setor abastecido não somente de vagas de trabalho, mas também para que haja profissionais para suprir aquelas necessidades”, afirmou José de Lima Pereira, ressaltando que, em um prazo de cinco anos, o crescimento de áreas como a de serviços logísticos, bancários, transporte rodoviário e fluvial, somadas à mineração e agricultura, vai compor a nova realidade econômica da região denominada de “Ciclo do Futuro”.
Após a exposição do cenário socioeconômico, grupos de discussão elegeram, dentre doze eixos tecnológicos que reúnem 185 cursos técnicos, os dois que darão início à definição dos cursos que serão ofertados pela escola tecnológica. A escolha será considerada na construção e aquisição de equipamentos de laboratórios e mobiliários e na construção das diretrizes pedagógicas da unidade de ensino. Um comitê foi organizado para fazer o acompanhamento das próximas ações até o dia de inauguração e início de funcionamento da escola. A primeira reunião do grupo será dia 20 de junho.
A organização é composta por representantes de escolas públicas, Associação Comunitária dos Produtores Agroextrativistas Ribeirinhos do Rio Tapajós, Conselho Tutelar, Federação das Associações de Moradores de Comunidades do Assentamento Agroextrativista do Eixo Forte, Equipe Consultoria e Assessoria Urbanística, Instituto Socioeducacional e Ambiental, Emater, Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter-do-Chão, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Mojuí dos Campos e 5ª Unidade Regional de Educação (URE).
Em todo o Pará, onze Escolas Estaduais de Educação Tecnológica e Profissional estão em construção, com um investimento de cerca de R$ 63 milhões, do programa Brasil Profissionalizado, do governo federal. Assim como em Santarém, outros oito municípios também recebem, até 21 deste mês, o Fórum de Integração para Oferta das Escolas Tecnológicas em Construção: Breves, Tomé-Açu, Xinguara, Novo Progresso, Tucuruí, Barcarena, Santana do Araguaia, e Parauapebas.
A partir dos eixos tecnológicos, abre-se um leque com 46 opções de cursos técnicos, dos quais dois ainda serão escolhidos. A gestora da 5ª URE, Maria José Maia, destacou o caráter participativo do fórum. “Esta é uma oportunidade de decidir e escolher os cursos de acordo com a nossa realidade. Hoje é o primeiro passo no conjunto de várias ações neste projeto. E o comitê gestor terá um papel muito importante nesse desenvolvimento”, disse.
“Para nós, é muito importante fazermos parte desse processo. As comunidades precisam se envolver, conhecer e contribuir”, avaliou o presidente da Associação Comunitária de Agroextrativistas da Comunidade de Vista Alegre do Capixauã, Raimundo Ferreira de Sousa. A preocupação, segundo ele, é grande, sobre a expectativa pela oferta de formação técnica em uma escola pública. “Queremos os nossos jovens formados, qualificados para atender, profissionalmente, às nossas próprias comunidades e as oportunidades que podem surgir”, acrescentou.
Agência Pará

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